2 de fev. de 2011

Sonambulóide

É assim, exatamente assim..."Foi" assim, na verdade. Foi assim que me despedi...caminhei até a beira da ponte, e me joguei ao precipício imaginário. Levado pelos sonhos que me guiavam até as profundezas do rio gelado.

Ja era sufocante, mas havia algo que não me acordaria, a sonambulóide da noite tomando conta do meu corpo que boiava gelado até a margem do rio congelante.

Não demorou muito para o frio congelar meu corpo, mas estranhamente era uma sensação deliciosa, como se aquele congelamento fosse um paraíso que envolvia o meu frágil corpo, que agora aos poucos, afundava como uma rocha para de volta ao centro rio.

Como uma marcha fúnebre, ou um rito tribal o gelo que formava minha redoma se despedaçara, e de dentro para fora do rio a mancha negra da morte fora substituída por uma aura branca, reluzente como uma estrela, um cometa. E desta luz meu corpo se erguera até a beira da ponte.

Um passo para trás. E foi assim que me despedi, da sonambulóide do amanhecer, retornando ao aconchego dos sonhos como uma fita que se rebobina. Ar nos pulmões, a pele quente e olhar vivo, atento e agora aberto.

Finalmente acordei!

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