"Nossos tempos mudaram, nossos tempos têm máquinas, fumaça, destruição...mas nossos tempos proporcionam um melhor potencial de vida para aqueles com um poder aquisitivo superior."
E para os demais, a vida continua...cada vez mais engolida pela modernização. O pouco da natureza está se esgotando...mas isso já não é novidade...nem sempre foi assim...
Diariamente, minha rotina me obrigava a embarcar no ônibus de número 945, este que me levava pelas mesmas paisagens diariamente. A bordo de uma curta viagem com duração média de uma hora e meia, a paisagem tão repetitiva começava a se tornar cinza. Percebendo tamanha devastação, decidi, através destas simples linhas, registrar o momento de vida da rota que rotineiramente observava. Decidi fazer isso antes que todo o verde e vivo fosse coberto por um reluzente cinza que, não emite nenhum brilho de vida.
"Saindo da rodoviária: Ah, a boa e velha rodoviária. Onde as passagens vendidas eram todas manuscritas, com o timbre da empresa com as letras estilizadas F.L.W. cujo nome até hoje é um misério. Enfim, a atendente, sempre sorridente, muito ocupada, prestava seu serviço vendendo-me o bilhete de forma que suas delicadas mãos preenchiam habilmente os campos da passagem. Por costume, normalmente ela já deixata tudo preenchido, eu apenas lhe pagava e já tinha a passagem prontinha.
Costumava chegar à rodoviária, vários minutos antes, assim tinha tempo de uma breve partida de bilhar com o dono do bar ao lado da bilheteria da empresa F.L.W.; o Sr. Edmundo, era grande e corpulento, mas suas tacadas certeiras, era um desafio diário derrotá-lo. Com um pouco de sorte e muita concentração, sempre vencia.
Ah sim, o ônibus acaba de chegar. Angelo, o motorista, o anjo dos asfaltos. Não poderia ter um nome melhor para um homem de fibra como este; era claro o amor que ele sentia em seu serviço. Fazia questão de desejar a todos uma excelente viagem, nem que a pessoa fosse parar no ponto mais próximo.
Tomei os procedimentos de embarque e sentei-me em minha janela preferida, logo à frente da roda traseira, do lado esquerdo, assim o sol não bateria no meu lado. Agora sim, está dada partida em minha diária viagem à bordo do Ônibus 945."
"A Viagem: Da rodoviária, o único ponto de parada antes de seguirmos estrada, é um auto-posto de gasolina. O posto é de todo simples, com a bandeira da empresa de combustível que representa. Funcionários sempre dispostos a atender, acenavam para os viajantes que por ali passavam de ônibus, carro, charrete, cavalo, ou até mesmo os aventureiros mochileiros.
Por sorte hoje não havia ninguém embarcando naquele ponto, então Angelo simplesmente buzinou para seus amigos do posto que retribuiram em coro com gritos e piadinhas para Angelo.
Fazendo o balão do auto-posto, seguimos na encosta de uma imponente montanha rochosa com muita vegetação encravada em sua parede, pura sorte natural, isso evita os desmoronamentos de terra em épocas chuvosas. Por falar em clima, verão, ah como está quente e ensolarado! Enfim, voltando à estrada.
Após contornar a montanha, cinematograficamente a paisagem muda para um campo aberto, como se estivéssemos atravessando cenários de um grande estúdio de cinemas. Aqui no campo, a primeira vista do planalto, é um grande lago espelhado. Refletindo o brilho dos céus, o lago estava em tons de azul turquesa, e as nuvens refletidas, brancas como se fossem algodão sob aquela paisagem congelada.
Estrada reta, estrada boa! Angelo acelera sem dó, ele e a máquina confiam um no outro de tal forma que me pergunto às vezes como ele consegue manobrar daquela forma sem tomar uma multa.
Saindo então das montanhas, descendo o planalto com o lago, seguimos em uma íngrime inclinação onde passaremos pelo primeiro vilarejo. "Arcaico" como indicava a placa do vilarejo. Era um lugar calmo, com casas todas simétricamente planejadas, em estilo colonial, os moradores faziam questão de manter todas as tradições. Jovens tiravam o chapéu e acenavam para o imponente ônibus 945. As moças acenavam com lencinhos; logo todos estariam juntos de seus parentes que desembarcariam na estação logo à seguir. Ah! Chegamos! Aqui a primeira parada do 945.
A "Estação" é uma antiga estação ferroviaria, desativada pela modernização das estradas automobilísticas. Aqui as familias dos moradores de Arcaico esperam anciosamente por parentes, amigos, heróis em serviço militar...enfim, o clima que as pessoas deram à estação fez com que a mesma ganhasse um nome especial que e tratado e muito conhecido por todos os moradores e visitantes: a "Estação do Retorno".
Deste modo, é muito comum ouvir: -Estou indo ao Retorno; ou então -Logo logo minha filha chega no Retorno.
Me emocionei com uma cena muito incomum que estava acontecendo na Estação..havia uma garota desembarcando do ônibus 945, o mesmo que eu estava...ninguém mais além da garota desembarcou...lá fora vejo uma mulher que, pela aparência e semelhança, julguei ser a mãe da garota. Ela chorava muito e acariciava o rosto da garota. Agora tudo fazia sentido, a garota era uma intercambista...estava voltando de uma longa viagem e tinha muitas histórias para sua mãe e amigas.
Assim continuamos nossa viagem...a partir da Estação do Retorno, são apenas vinte minutos. Ah sim, agora um pedaço muito desagradável da viagem...Há uma industria sendo construida numa área onde costumava ser um campo de gramado curto e de um verde vivo. Gostaria que parassem essa engrenagem do capitalismo ou que fizessem essas construções em locais próprios, onde a natureza já declarou "morte"."
"Desembarque: Finalmente, chegamos ao fim da viagem...Angelo se despede dos passageiros, perguntando um por um se a viagem lhes agradou...Me pergunto se quando tudo se tornar cinza, Angelo continuará tendo a mesma vontade e gentileza..."
Deste modo, quando tudo estiver perdido, fecharei os olhos e me lembrarei eternamente da estrada cinematográfica e do querido Ônibus 945.
29 de jan. de 2010
27 de jan. de 2010
Poeta
Aquele homem, bem vestido, com um longo sobretudo preto e um chapéu escuro, sentado ali à mesa. Prova um pouco de seu café, e logo começa a ler um grosso livro de capa vermelha e titulo em letras douradas, centralizada ao centro da capa.
Ele, sem qualquer instrução, continua lendo, e gentilmente sorri à Lua, como se ambos já se conhecessem desde seu momento de nascimento e até antes.
Sua leitura o leva para um campo iluminado, cheio de pessoas felizes, vestidas em branco. Todas as pessoas estavam realmente felizes...um lugar sem religiões, um lugar, onde o homem encapuzado encontrara sua semelhança...
Sobre a sua mesa, uma toalha rendada artesanalmente o fizera pensar o quanto aquele pedaço de tecido teria "vivenciado"...suas manchas, sobrepondo umas sobre as outras, como se quase nunca aquela toalhinha tivesse sido lavada, ou se tivesse, esta seria lavada delicadamente às margens de um rio, por senhoras que se reunem semanalmente e limpam as roupas cantarolando canções alegres enquanto conversam sobre a vida.
"Bondade, melhor que perfeição", o homem não consegue entender porque não se encaixa naquele mundo onde as pessoas mais famosas são aquelas que, foram taxadas como perfeitas. O homem, apenas não entende porque as pessoas famosas não são aquelas que a bondade fazem, sem que estas pensem sequer em receber qualquer recompensa...mas que muitas vezes, terminam em vielas, lugar onde nossa personagem se encontra exatamente agora.
O ar nas ruas molhadas pela chuva era tenso. Os postes de luz da rua davam à cena noturna, o brilho que refletia das gotículas de água que brilhavam no chão, fazendo a cena em tons de cinza. Tão triste quanto era a vida daquele homem. Ao final da rua avistou um garoto chorando...se aproximou e apenas disse:
-Sua mãe está no café no final da rua, vá até ela e simplesmente diga que a ama muito. Mas não chore, garoto...a rua pode ser escura, mas a coragem que carrega em teu peito é maior que qualquer problema que venha a enfrentar
O garoto ainda soluçando muito, saiu...Lágrimas cairam do rosto já enrugado do homem...Agora ele se dirigia à sua livraria favorita. Nunca comprara sequer um livro...O livro de suas mãos era feito desta forma... cada livro o fazia pensar mais em sua vida...mas não o livro todo, apenas páginas...capítulos...ele arrancava dezenas de páginas de diversos livros e inseria cada página em seu livro vermelho de letras douradas. Era um mix de histórias que resumiam sua vida...
Agora sentado à mesa, próximo a uma janela, sem que ninguém lhe dê qualquer instrução, retoma seu triste monólogo. A cada segundo, ele se vê mais próximo às pessoas felizes...para um lugar sem religiões, onde finalmente, encontraria sua semelhança.
Então, novamente, com sua xícara de café, gentilmente sorri à Lua, como se ambos já se conhecessem desde seu momento de nascimento e até antes.
Texto baseado na incrível música Man of a Thousand Faces - Regina Spektor
Ele, sem qualquer instrução, continua lendo, e gentilmente sorri à Lua, como se ambos já se conhecessem desde seu momento de nascimento e até antes.
Sua leitura o leva para um campo iluminado, cheio de pessoas felizes, vestidas em branco. Todas as pessoas estavam realmente felizes...um lugar sem religiões, um lugar, onde o homem encapuzado encontrara sua semelhança...
Sobre a sua mesa, uma toalha rendada artesanalmente o fizera pensar o quanto aquele pedaço de tecido teria "vivenciado"...suas manchas, sobrepondo umas sobre as outras, como se quase nunca aquela toalhinha tivesse sido lavada, ou se tivesse, esta seria lavada delicadamente às margens de um rio, por senhoras que se reunem semanalmente e limpam as roupas cantarolando canções alegres enquanto conversam sobre a vida.
"Bondade, melhor que perfeição", o homem não consegue entender porque não se encaixa naquele mundo onde as pessoas mais famosas são aquelas que, foram taxadas como perfeitas. O homem, apenas não entende porque as pessoas famosas não são aquelas que a bondade fazem, sem que estas pensem sequer em receber qualquer recompensa...mas que muitas vezes, terminam em vielas, lugar onde nossa personagem se encontra exatamente agora.
O ar nas ruas molhadas pela chuva era tenso. Os postes de luz da rua davam à cena noturna, o brilho que refletia das gotículas de água que brilhavam no chão, fazendo a cena em tons de cinza. Tão triste quanto era a vida daquele homem. Ao final da rua avistou um garoto chorando...se aproximou e apenas disse:
-Sua mãe está no café no final da rua, vá até ela e simplesmente diga que a ama muito. Mas não chore, garoto...a rua pode ser escura, mas a coragem que carrega em teu peito é maior que qualquer problema que venha a enfrentar
O garoto ainda soluçando muito, saiu...Lágrimas cairam do rosto já enrugado do homem...Agora ele se dirigia à sua livraria favorita. Nunca comprara sequer um livro...O livro de suas mãos era feito desta forma... cada livro o fazia pensar mais em sua vida...mas não o livro todo, apenas páginas...capítulos...ele arrancava dezenas de páginas de diversos livros e inseria cada página em seu livro vermelho de letras douradas. Era um mix de histórias que resumiam sua vida...
Agora sentado à mesa, próximo a uma janela, sem que ninguém lhe dê qualquer instrução, retoma seu triste monólogo. A cada segundo, ele se vê mais próximo às pessoas felizes...para um lugar sem religiões, onde finalmente, encontraria sua semelhança.
Então, novamente, com sua xícara de café, gentilmente sorri à Lua, como se ambos já se conhecessem desde seu momento de nascimento e até antes.
Texto baseado na incrível música Man of a Thousand Faces - Regina Spektor
24 de jan. de 2010
O garoto e o Guarda-Chuvas
Antes fosse uma manhã chuvosa...Jack, fazendo seu habitual caminho até o trabalho, com um pequeno detalhe; estava completamente ensopado. A chuva havia pego de surpresa...agora era tarde, poderia usar o uniforme o dia todo e deixar a roupa secando no almoxarife...Na recepção da empresa, logo foi estranhamente recepcionado com uma toalha branca extremamente macia; e todo essa atenção era comum em sua empresa, mas mesmo assim, Jack ficava desconfiado...
Passou para o vestiário onde deixou pendurado suas roupas enxarcadas e vestiu-se em seu uniforme...havia uma porta de um dos armários aberta; com todo o cuidado Jack a fechou, mas eta logo tornou-se a abrir. Curioso, foi examinar qual o motivo da porta estar agindo daquela maneira. Logo descobriu um guarda-chuva estilo "bengala" mal colocado no armário.
Antes fosse um guarda-chuvas...Jack tocou o guarda chuvas e sentiu-se "eletrificado", mas não era um choque, não era doloroso...sentiu vontade de empunhá-lo como se fosse uma espada.
-Então...a pessoa que me despertaria...seria um garoto?
-Quem disse isso?
-Eu não digo, estou me comunicando telepaticamente...
-Quem...quem é?
-Ora, você me empunha com tanta garra e agora está aí tremendo com medo dos meus potenciais?
Por um momento Jack não estava conseguindo se concentrar...um guarda-chuvas...não, o que era aquilo? Em seguida aquele objeto se apresentou como "Zk", e disse coisas sem sentido, como:
"-Jack, este mundo parece o seu, mas logo vai descobrir que não está mais em casa...eu posso te ajudar a sair daqui, mas me ajude a acabar com os problemas daqui..."
E realmente, logo Jack descobriu que aquele lugar não era mais o seu. Haviam pessoas...mas elas pareciam possuidas...e queriam a todo custo atacar Jack e Zk.
-Zk o que eu faço?
-Ora, me use...com a sua mente, posso ser qualquer arma.
Jack se concentrou, e empunhou o guarda-chuvas como se este fosse um rifle e um projétil foi disparado, acertando a cabeça de um daqueles "monstros".
Maravilhado, Jack resolveu tentar uma coisa mais ousada, segurou o guarda-chuvas no meio, pronunciou algumas palavras que se lembrava em latim e uma chuva de raios atingiu todos os demais monstros em pé.
-Hmm...magia...gosto do seu estilo, garoto.
-Eu não sou garoto.
-Ei garoto, atrás de você!
Um daqueles "monstros" havia se jogado em cima de Jack. Sem outra reação, ele gritou. Zk, o guarda-chuvas se abriu e tudo ficou escuro...
Jack abriu os olhos...escutou o barulho da chuva na janela...estava em casa...aquilo tudo tinha sido um sonho...já sentado na cama, ao lado de seu criado mudo, eis que ele vê Zk...
Passou para o vestiário onde deixou pendurado suas roupas enxarcadas e vestiu-se em seu uniforme...havia uma porta de um dos armários aberta; com todo o cuidado Jack a fechou, mas eta logo tornou-se a abrir. Curioso, foi examinar qual o motivo da porta estar agindo daquela maneira. Logo descobriu um guarda-chuva estilo "bengala" mal colocado no armário.
Antes fosse um guarda-chuvas...Jack tocou o guarda chuvas e sentiu-se "eletrificado", mas não era um choque, não era doloroso...sentiu vontade de empunhá-lo como se fosse uma espada.
-Então...a pessoa que me despertaria...seria um garoto?
-Quem disse isso?
-Eu não digo, estou me comunicando telepaticamente...
-Quem...quem é?
-Ora, você me empunha com tanta garra e agora está aí tremendo com medo dos meus potenciais?
Por um momento Jack não estava conseguindo se concentrar...um guarda-chuvas...não, o que era aquilo? Em seguida aquele objeto se apresentou como "Zk", e disse coisas sem sentido, como:
"-Jack, este mundo parece o seu, mas logo vai descobrir que não está mais em casa...eu posso te ajudar a sair daqui, mas me ajude a acabar com os problemas daqui..."
E realmente, logo Jack descobriu que aquele lugar não era mais o seu. Haviam pessoas...mas elas pareciam possuidas...e queriam a todo custo atacar Jack e Zk.
-Zk o que eu faço?
-Ora, me use...com a sua mente, posso ser qualquer arma.
Jack se concentrou, e empunhou o guarda-chuvas como se este fosse um rifle e um projétil foi disparado, acertando a cabeça de um daqueles "monstros".
Maravilhado, Jack resolveu tentar uma coisa mais ousada, segurou o guarda-chuvas no meio, pronunciou algumas palavras que se lembrava em latim e uma chuva de raios atingiu todos os demais monstros em pé.
-Hmm...magia...gosto do seu estilo, garoto.
-Eu não sou garoto.
-Ei garoto, atrás de você!
Um daqueles "monstros" havia se jogado em cima de Jack. Sem outra reação, ele gritou. Zk, o guarda-chuvas se abriu e tudo ficou escuro...
Jack abriu os olhos...escutou o barulho da chuva na janela...estava em casa...aquilo tudo tinha sido um sonho...já sentado na cama, ao lado de seu criado mudo, eis que ele vê Zk...
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