7 de mai. de 2011

Sem Título #1

Calmamente, ele pressiona a ponta de sua caneta sobre o papel, pára, se entrega por uns instantes. Enquanto o mundo continua ele se congela, naquele momentm preso à sua criatividade hiperativa.

Se lhe fosse permitido, tornaria suas criações reais; seus versos em momentos; e viver tais maravihlosas aventuras por ele criado.

A luz era fraca em seu quarto e a pouca luminosidade lhe envolvia em um clima hipnótico, enquanto as palavras fluiam do movimento de sua mão, para a ponta da caneta, que gentilmente tocava o papel outrora branco.

Hoje, seus pensamentos o levara à terras longícuas, onde homens lutavam por ideais e sonhos com o brandir de suas espadas, enquanto as suasmulheres rezavama cadapartir de seus amores. Ali, também viviam as Selvagens, mulheres renegadas, banidas, que ganhavam a vida com sua arte de sedução e viviam esguiando-se por entre grandes bosques. Não o suficiente, os Arqueágos, nobres sábios que, com os conhecimentos da teologia antiga disparavam flechas com seus arcos de luz.

Assim, ele criava seu mundo, com suas cidades, vilas e reinos. Ele, como narrador, descreveria em seus versos o seu heroísmo e como sua aventura de zero à herói o faria cruzar o mundo; das altas montanhas frias de Virton até os calabouços escuros de Onipst...

15 de mar. de 2011

Terceiro ponto de vista

Tudo estava confuso naquela noite...aquele cara no meu pé, me beijando e me agarrando, não me dando ar nem espaço, e eu querendo dançar...Ele não me deixava em paz, nem mesmo com minhas grosserias à parte. Então vi você passar...parecia o garoto mais bonito dali...parecia ter me conquistado só por simplesmente caminhar de um lado pro outro na pista de dança...

Mas droga! Você não me via...talvez não quisesse me ver...talvez eu não fosse quem você procurava...não sei, não conseguia parar de olhar pra você...Enquanto você se arrumava no espelho eu fitava timidamente seu rosto, bem ao seu lado; mas ainda assim, parecia me ignorar...talvez você estivesse acompanhado...talvez estivesse longe de querer beijar alguém naquela noite...Quando pensem em lhe cumprimentar, aquele cara volta a me atazanar...poxa é muito pedir um pouco de espaço?

Eu só queria um beijo seu, só queria beijá-lo...você parecia o prêmio que eu queria aquela noite. Minha amiga então decide ir até você...foi a primeira vez que fazia isso, acho...fiquei timidamente observando tudo, e então ela volta com você...me lembro perfeitamente, me lembro exatamente você estendendo sua mão para me cumprimentar, e eu o agarro e lhe beijo...Seus lábios se encontraram com os meus e nos beijamos ao som de "Hold it Against Me". Foi uma sensação ótima tê-lo em meus braços, ver de perto seu rosto, seu sorriso...eu apenas o beijava e o abraçava...

"Acho legal se conhecer, sabia?" foi o que você me disse. Com um sorriso no rosto, eu o convido para o fumódromo...com um olhar tímido, dialogamos:
"Eu não fumo" você dizia.
"E quem vai lá pra fumar?" disse sorrindo.

Finalmente longe do barulho e de todos, eu o abraço novamente, sinto-me bem beijando sua pequena e delicada boca. Enquanto conversamos, arrumo seu cabelo e faço carinho em você, que apenas me olha...o que será que você procura? O que será que você quer encontrar me olhando tão profundamente...?

25 de fev. de 2011

Silenciosamente

"As pessoas não sabem ouvir, não querem. Não o fazem por pura comodidade e conforto de suas ásperas vidas. Quando eu ouvi, meu coração bateu forte, vivo...quando finalmente eu ouvi, meus sentimentos transbordaram do meu corpo...e eu te amei."

Me chamo Arthur, tenho 18 anos. Sou feliz, tenho uma vida feliz...tenho amigos, já tive várias paixões, sou divertido e me divirto com meus amigos...não sabia que a vida era feita de simples detalhes, entretanto, vivia intensamente...ainda vivo...diferente, mas vivo. O tormento da minha vida começou quando, naquele dia chuvoso meus pensamentos me levaram para um caminho distorcido...

Estava chovendo muito, estava indo de carro para a faculdade, nada de diferente, o trânsito leve, os prédios escuros e apenas poucas janelas iluminavam as edificações. Frederico, meu melhor amigo, 20 anos...Não me lembro muito bem, mas consegui ver ele no ponto de ônibus, esperando.

-Ei Fred! Carona?
-Obrigado-diz ele entrando no carro, deixando o ar frio da chuva gelada entrar consigo.

Fred era bem diferente de mim...Quase não falava, quase não ria...muitas garotas o admiravam, por sua beleza, por seu charme...mas ele era irritantemente quieto. E, droga! Era meu melhor amigo. E meu único verdadeiro amigo...

-Arthur, por que você não usa o cinto?
-Já estamos quase chegando, Fred, deixa de ser bobo...o que aconteceria?

O que aconteceria? O destino? O pior?

Sim, o pior. Não me lembro do acidente, só me lembro do despertar. E lembro dos vultos brancos, um grande silêncio...
Via médicos conversando, vi o Fred com sangue na roupa...mas não escutava. Estava com medo, estava cansado...desmaiei de novo.

Li em um cartão o que os médicos haviam dito...era a letra do Fred...

"O carro capotou...você foi lançado do carro pelo lado, a porta abriu e você caiu. Os médicos disseram...que você está em estado de choque...você está com surdez temporária, e não sabemos quanto tempo ela vai passar...estou bem...porque você nunca me ouve?"

Quando terminei de ler o cartão, começei a chorar, e vi Fred dormindo ao lado do meu leito...ele ficou ali a noite toda?
Como eu morava sozinho, os médicos não me deixariam ir pra casa, então Fred me levou para a sua casa...estava bem...apenas surdo...era torturante...ver os lábios do Fred se mechendo e eu não conseguir entendê-los...

Com a ponta do seu dedo indicador, ele soletra uma frase na palma da minha mão: "O que você vai querer para o jantar?"
Meu coração bateu forte...era a primeira vez que o Fred tocava em mim, eu senti meu rosto corar e o Fred escreveu num bilhete:

"Está com febre? Está se sentindo bem?"

Eu apenas fiz um sinal com a cabeça de que estava tudo bem, e, cabisbaixo tentei não olhar para os olhos negros e penetrantes do Fred...acho que estava me apaixonando...

Não quero ficar sozinho, não quero ficar longe de quem amo...não consigo!
Um pesadelo? Acordei assustado, e lá estava o Fred...novamente ele escreve em minha mão: "Estou aqui. Te protegerei. Durma..."

Cansado, e ainda fraco, desmaiei.

Essa noite teria de passar sozinho...no hospital...Fred já tinha ido embora, todos já tinham. Estava lá, deitado em meu leito, à luz do luar, a janela aberta deixava uma leve brisa entrar no quarto. Não conseguia parar de pensar em como minha vida estava confusa, em como o Fred estava sendo tão amigo...mais que amigo...eu queria vê-lo. Quero vê-lo!

Pulei a janela do hospital e saí correndo, procurando por ele, procurando seu abraço, seu corpo. Em uma rua eu o encontro e assustado ele vem ao meu encontro...

-Fred...!

Ele olha para mim e me abraça.

-Fred...
-Eu sei, Arthur...Eu também te amo.

Meus olhos se encheram de lágrimas, finalmente, eu o ouvi...

...finalmente...eu o beijei.

20 de fev. de 2011

Porta

Ele corria desesperadamente por um corredor branco com carpete azul marinho, desesperado, assustado e com medo. Todas as portas desse corredor vazio e iluminado o levava à um outro corredor estranhamente vazio e iluminado. Por que todas as portas mesmo abertas lhe pareciam fechadas? Por quê?

Tateando a parede branca texturizada ele nota luzes vindo da porta seguinte. Trancada...então ele resolve bater na porta e ficar ali. Sua cabeça dói, ele desmaia...e cai em frente à porta iluminada.

Seu mundo não desmoronava, mas ele ainda tinha lágrimas pra dar. Chorava, muito, chorava sem motivo...mas acordado? Onde? Não era mais o corredor.


Alguém o trouxera para dentro daquele quarto tão branco quanto o corredor. Ele não conseguia ver o rosto de quem o ajudara...mas simplesmente o abraçou como se aquela pessoa fosse a única que a compreendesse realmente. E ali, no sofá chorou, nos braços daquela pessoa desconhecida.


E a voz dele apenas soou em seus ouvidos e em sua alma que ainda chorava:

-O amor é a resposta para as perguntas que você esqueceu. Mas a resposta é o amor.

2 de fev. de 2011

Sonambulóide

É assim, exatamente assim..."Foi" assim, na verdade. Foi assim que me despedi...caminhei até a beira da ponte, e me joguei ao precipício imaginário. Levado pelos sonhos que me guiavam até as profundezas do rio gelado.

Ja era sufocante, mas havia algo que não me acordaria, a sonambulóide da noite tomando conta do meu corpo que boiava gelado até a margem do rio congelante.

Não demorou muito para o frio congelar meu corpo, mas estranhamente era uma sensação deliciosa, como se aquele congelamento fosse um paraíso que envolvia o meu frágil corpo, que agora aos poucos, afundava como uma rocha para de volta ao centro rio.

Como uma marcha fúnebre, ou um rito tribal o gelo que formava minha redoma se despedaçara, e de dentro para fora do rio a mancha negra da morte fora substituída por uma aura branca, reluzente como uma estrela, um cometa. E desta luz meu corpo se erguera até a beira da ponte.

Um passo para trás. E foi assim que me despedi, da sonambulóide do amanhecer, retornando ao aconchego dos sonhos como uma fita que se rebobina. Ar nos pulmões, a pele quente e olhar vivo, atento e agora aberto.

Finalmente acordei!

24 de jan. de 2011

Momento do Poeta

Mil coisas acontecendo,
palavras correndo como uma rodovia...
cada balanço, cada movimento,
jogar tudo no branco papel é prazeroso
jogar palavras espalhadas é arte
é vida.

Procuro o encaixe das engrenagens;
o tique-taquear do relógio;
o orvalho na grama verde;
as pessoas que vão,
as pessoas que vêm,
as pessoas que ficam, permanecem.

Mentalmente, um livro de páginas brancas eu escrevo,
descrevo, reescrevo, rabisco, rasgo,
pilhas de papel transbordando do cesto de lixo.
Lixo?

Ah, uma idéia nova!
Um mero clichê, faz parte.
Não, está errado,
Risco isso, aquilo, não essa não encaixa aqui.
Isso não rima com clima.
Aquele verso ficou maior que esse,
o outro, menor que aquele.

Ri,
Chorei,
Espantei, assustei.
Acreditei,
Sonhei, com tal momento;
sonhei com o momento do poeta.
Sonhei de mais.

21 de jan. de 2011

O que....?

Respirando fundo, coração apertado, barriga girando...A vista turva. Não sei o que acontece...ao mesmo tempo que tenho e quero ver, e fazer mil coisas, um profundo vazio ecoa de dentro pra fora. Um vazio que não consigo preencher com distração, com entretenimento. Um vazio silencioso.
Me pergunto se isso é tédio, se isso é depressão. Nem um, nem outro. É apenas, um vazio silencioso. Se eu me ajeiti na cadeira, parece que a dor no peito volta, se eu começo a roer incontrolávelmente minhas unhas, sou pego pelas náuseas.
Não tento chorar, minha cabeça dói de mais pra isso e, não tenho motivos pra chorar quando tudo parece perfeitamente perfeito.
Apenas, olho para todos os lados à procura de algo, de alguma coisa que está incompleta. De qualquer coisa que precise ser completa. Acontece, que eu não encontro...O único objeto que se encontra incompleto é meu rosto e minhas expressões, vazias como o reflexo do espelho, que insiste em me mostrar estes vazios sentimentos e sensações.

Não busco o completo perfeito, pois o completo nunca estará completamente perfeito. É complicado, mas eu não quero tentar entender. Sei lá, a vida pode tomar rumos tão diferentes, rotas tão paralelas...porque este ou aquele caminho é o correto?

Ah bobagem, o que eu quero entender, é por que eu não quero tomar nenhum caminho?

3 de set. de 2010

Voz, boca, você

A voz rouca, desafinada...o ar saindo apertado pela garganta, a nazalidade, ah a voz desafinada...Aquele jeito único de conversar cochichando sempre, procurando palavras pra me fazer sorrir, os tons tímidos nas notas que a voz me canta, e as coisas sacanas que na euforia, a voz me diz. Aquela voz trêmula, aquela voz chorando as mágoas, as dores...

O sorriso maroto, perfeito, angular. Os lábios se curvando para cima, os dentes brancos  e completamente perfeitos. Às vezes, pra baixo, triste, descontente...às vezes mordiscado, "seduzindo", brincando...a boca...mechendo e me dizendo coisas malucas...

Você...é você...

27 de ago. de 2010

Rei

É uma dor que queima minha alma, que corrói meus pensamentos mais lúcidos. Não entendi muito bem, não há muito o que entender, apenas sentir. Não é a carne que me apaixona...não são os rostos vidrados, embalados e etiquetados como belas e feras. O que embala meu coração, que me deixa ansioso, louco, e sem reação é a alma...é uma alma...

Uma alma que, mesmo sem qualquer título de nobreza, fora meu rei, minha rainha, minha alteza...Coroado pela pureza, nomeado nobre pelo coração. Uma alma que me faz pensar que tudo está relativamente bem, que me faz entender coisas óbvias, como o sorriso...Entender o sorriso e o seu motivo, só você me ensinou, sem sequer saber...

Mutual, único...mas é essa dor que queima minha alma, que corrói meus pensamentos mais lúcidos que me irrita. Se não conseguir entender minhas mágoas jogadas ao vento, lhe resumo a dor em uma única palavra. Longe.

20 de ago. de 2010

Surdo

Pelas más notícias que a TV me deixa, pelas ásperas palavras que se dirigem à mim, pelas palavras vazias e sem sentimentos, desejaria ao menos ser surdo. Ouvir apenas às almas das pessoas, sentir as expressões do rosto, felizes ou tristes. Apenas por uma fração de segundos, o silêncio me parece um perfeito esconderijo.
Não se sentir solitário em um mundo de expressões, onde o corpo fala, a alma sorri. Tropeçar entre os mundos, com a voz ainda rouca, soluçar palavras inaudíveis, sobretudo compreensíveis. Deixar a dor de cabeça, a negatividade para quem a merece, pode até parecer egoísmo, mas é a pura loucura de querer ter nascido surdo.
Aprender a gostar das pessoas pela presença, deixar a música de lado e se embalar em uma dança sob a luz da lua. Saber ler os lábios e compreender sorrindo e retrucando, conversando, dando gargalhadas pela piada não ouvida. Ver alguém pegar em sua mão e escrever palavras com a ponta do dedo nela, não é preciso papel e caneta, apenas alma que me diga e que me faça falar palavras surdas, palavras sobretudo compreensíveis.
Apenas sendo humano, amando, para que as palavras e as não-palavras sejam desnecessárias, vivendo o momento, vivendo a vida.

3 de ago. de 2010

Você

Esta noite eu tive um sonho. E nesse sonho, você estava lá, comigo, me amando como ninguém. Era um amor carnal, e espiritual, tão juntos e tão unidos; nós estávamos unidos naquele sonho. Nada além de você importava pra mim, e nada além de mim, importava pra você.
Naquele exato sonho, outra pessoa que amo, e que você respeita, surge...essa pessoa, me diz coisas cruéis, não liga pra nada e suas ásperas palavras me machucam...mesmo eu a amando. Você, por outro lado, também me machuca...olha pra mim, e não diz nada...
Por que você...por que justamente você tinha que estar no meu sonho? Não que não sejas importante. Mas...você é inesperado...só pensar em você, já me deixa tonto. 


Não sei se o que sinto é amor ou puro desejo, mas de uma forma ou outra, o que sinto é verdadeiro...E mesmo nunca tendo tocado seus lábios eu amo Você.

31 de jul. de 2010

Sont pas nos Adieux

"Minha alma gêmea, meu outro eu que me completa."
É com pesar que deixo essa despedida, com lágrimas que me separo da única pessoa que me faz sentir seguro.
Encontrar você, apoiar você e ser apoiado por você, foi a melhor escolha da minha vida. Não, eu não tive essa escolha, você simplesmente aconteceu.

De tudo o que já vivemos juntos me marcaram dois momentos; um triste: no ginásio do Maya, quando você saiu chorando num canto sozinha e eu fiquei lá com você; e um feliz: quando pela ultima vez, pulamos o muro da escola e a Aline sujou a blusa com graxa, depois fomos os três à feira, comer pastel e chupar uva.
Mas sabe, o que mais vai me fazer falta em você toda, é o seu sorriso...tão radiante, sincero...e seu gesto que já sinto falta, é aquele abraço apertado, demorado e aconchegante.

Você fez a diferença na minha vida. Não tenho nada para lhe dar em troca da minha gratidão por isso, mas, mil palavras se resumiriam no meu simples "Obrigado!".

E em você, vejo muito além da carne que muitos desejam, eu vejo uma garota, uma menina, uma mulher. Segura, forte, inteligente, carismática, extrovertida e viva...às vezes até acho que é por isso que a gente combina, eu sou tão o oposto disso hehe.

Mas quero que entenda quando lhe digo que mesmo não vendo mais você, rindo com você, chorando com você, te abraçando ou te beijando, eu amo você.

De todo o meu coração, eu amo você.

Flavio

21 de jul. de 2010

1000 Palavras

Em minha jornada pelo mundo, me deparei com diversas ocasiões, mas aquela menina foi a que mais me marcou. Não há necessidade de apresentar-me.
Era uma bela tarde, e estava sentado às margens de um lago, desenhando a incrível paisagem providenciada pela natureza, então ela surge, quieta, tímida, com as mãos para trás.

-O que houve menininha?
-Senhor, você pode me ensinar como desenhar? -pergunta ela parando e olhando meu desenho - Você é muito bom...

Ao ver seu rosto angustiado, comecei a me interessar. Então ela continuou.
-Por favor me ensine. Eu quero desenhar algo...especial...-então ela desenrola um pedaço de papel com um desenho- Mas o melhor que eu consigo desenhar, é isso.

No desenho havia um casal e uma garota ao meio, com as mãos dadas para os dois. Assumi ser um desenho de sua família.

-Bom ele já está muito bom...-eu contesto.
-Mas eu quero fazer melhor...como você...
-Só pratique todos os dias, e você ficará boa em alguns anos. -lhe aconselhei.
-Alguns anos! -ela se espantou- Será muito tarde até lá...
-O que você quer dizer com muito tarde, o que acontecerá?

Com os olhos cheios de lágrimas ela me diz:
-Isso. - e rasga o desenho ao meio. Ajoelhada e cabisbaixa ela continua- Mamãe e papai estão se machucando. Depois que eles separarem, eu não serei capaz de desenhar minha família não importa o quão boa eu seja. É por isso que...por favor, me ensine.

Senti a dor da garota, olhando para o céu claro por entre as folhagens da árvore completo:
-Não posso. Levaria anos para lhe ensinar, e eu sou um viajante. Irei embora amanhã. E além do mais, não seria melhor ter sua família, em vez de apenas um desenho?

"Eu não quero me sentir tão desamparada". Foi a última frase que ecoou em meu coração, uma garota tão nova, passando por um momento tão crítico. Lhe afaguei a cabeça e disse:

-Não se desespere. Alguém uma vez me disse que arte é sobre conceito, não técnica. E uma imagem vale mais que mil palavras. Eu tenho uma ideia. Porque não fazemos uma troca entre artistas? Seu desenho, por 1000 palavras.
-Mas...está rasgado, e o que eu posso fazer...com 1000 palavras?
-Talvez, apenas talvez, 1000 palavras sejam suficientes para convencer seus pais...Me encontre amanhã, você verá.

Me despedi pegando o desenho rasgado da garota. Só queria fazer a diferença. No dia seguinte, no mesmo lugar, ela já estava lá, me esperando.

-Senhor! Você veio!
-Claro! -disse sorrindo gentilmente à ela. Entreguei a ela um envelope lacrado- E como prometido 1000 palavras. Mas não abra, dê o envelope...à seus pais.

Dentro do envelope, apenas havia o desenho daquela garotinha, rasgado, e colado com fita adesiva. Provavelmente os pais ao verem aquilo se emocionaram.
Não importa o quê aconteça, o sol sempre brilhará; apenas procure para um amanhã mais claro. E você encontrará...

Vários anos depois, retornei àquela pequena vila. E embaixo da mesma árvore, encontro a jovem garota. Que incontestavelmente me abraça.

-Senhor!
-Você cresceu.
-Eu gostaria de agradecê-lo, por me ajudar.
-Então sua família continua junta, fico feliz.
-Eles se divorciaram na semana seguinte.

Devastado e envergonhado, me desculpei:
-Me perdoe...eu falhei em fazer a diferença.
-Isso não é verdade! - ela contesta- Você fez a diferença...em mim. Decidi me tornar uma artista como você. Eu farei a diferença, e mudarei o mundo para 1000 palavras melhores de uma vez. Aqui, 1000 palavras da minha gratidão.

Ela me deu um caderno. Ao abrir, sorri:
-Com certeza, 1000 palavras.

Todas as páginas daquele caderno estavam preenchidas, com um simples "Obrigada!" Mil palavras de gratidão, este caderno, guardo como relíquia...

Obrigado!




narração adaptada da novela gráfica 1000 words por yuumei

9 de mai. de 2010

Nuvem

A estrada de terra, que me levava a lugar algum acabara de terminar. Sem sentido, sem direção, o único passo era para cima. Fechei os olhos e começei a subir meus degraus suaves, macios e invisíveis. Aos poucos fui tomando confiança o suficiente pra abrir os olhos. Ah que vista! O chão vermelho lá embaixo, e ao longe apenas uma única árvore já sem folhas; pra cima, uma nuvem...um castelo, um paraíso pessoal. Não sei ao certo como explicar, continuei subindo as escadas da minha imaginação até tocar a macia, fria e úmida nuvem. Me apoiei nas bordas da nuvem e com impulso, subi nela.

Com o leve toque das minhas mãos sob as paredes brancas de algodão, criava formas perfeitas de algo irreal. Meus passos levantavam uma poeira branca e fina e a sensação úmida da água à minha volta fazia entregar-me àquele momento.

Continuei me adentrando pela nuvem, como se esta tivesse vários ambientes, e era exatamente assim que parecia ser...Os raios de sol que entrava pelas brechas de ar refletiam por todos os cantos formando uma sala paraíso de arco-iris. Mais a frente, uma sala sóbria, iluminada porém escura...clarões e riscos irregulares passavam próximos a mim, depois, um barulho ensurdecedor.
Por fim, cheguei à outra extremidade da nuvem...banhado por um brilho laranja, daquela nuvem, via o pôr-do-sol.
Disposto a ficar alí por toda a eternidade, uma forte ventania desfez o meu castelo, o meu espaço. Me jogando de volta à realidade da terra seca e vermelha. Fechei os olhos para garantir que estava realmente de volta ao abandono. Meus lábios eram tocados por outros...não, havia alguém comigo. Uma luz, abri os olhos, sem ver quem me beijava, apenas uma luz.

Em seguida, essa luz penetrou meu corpo, imobilizando cada nervo e relaxando meus músculos. Depois do clarão...a terra vermelha ganhara vida, campo verde. A árvore seca, já cheias de flores em verde vivo. E acima, uma única nuvem, que esvasiava suas vontades chorando para a terra.

Chuva...chove...por que chove?

25 de abr. de 2010

Oasis

Caminhe,vastas dunas vermelhas...
céu limpo, sol escaldante.
coberto por túnicas,
veja apenas seu doloroso olhar.

Névoa em poeira,
tempestade de areia.
Calmaria, calmaria...

Mire, a miragem que brota...
Altas palmeiras verdes
A cristalina água,
cintilante, brilhante, refrescante.

Ajoelhe-se, ore.
Mire atentamente, não é uma miragem
Altas palmeiras verdes
Água cristalina,
cintilante, brilhante, refrescante.

Corpo cansado.
Deixe-se levar para o Oasis.
Entregue-se à salvação
Não exite, apenas entregue-se.

Corpo cansado.
Beba, nada além disso, beba.
Chore...feche os olhos.

Frio...?
Abra o olho e note,
era um sonho...

16 de fev. de 2010

Stella Errans

No escuro, iluminado apenas pelo brilho das constelações naquela noite de lua minguante. Perdido em minha própria redoma de desespero e medo. Me encontro parado, admirando as estrelas, tão distantes umas das outras; tão distantes e solitárias, assim como eu.

Talvez eu fosse mesmo estranho, talvez sonâmbulo. Estava alí, no alto de um pequeno morro com meu pijama azul, olhando para o céu como se só aquilo importasse naquele momento. A brisa fazia meu cabelo balançar, dançando; fadas brincando com as pontas do meu cabelo.

Respiração ofegante, sensação de que algo estava feito, orgulhoso de algo que fiz e não sabia. Era assim que me sentia naquela noite. Levantei os braços para cima e com as mãos espalmadas, sorri:

"Estou com vocês...com todas vocês..." por que eu disse isso?

Não sei...nada aconteceu. Abaixei meus braços, sem tirar a vista das estrelas, vejo uma rara cena: uma estrela cadente. Sua passagem durou segundos, mas apreciei esses segundos e depois fiquei relembrando a cena em minha cabeça...nem tive tempo de pedir qualquer coisa; já deitado sobre a grama úmida pelo sereno da noite, continuava com os olhos bem abertos, mal piscava.

Eis que outra coisa acontece...dessa vez mais próxima...uma pessoa, alguém...havia alguém por cima de mim. Senti o calor da mão dessa pessoa, que segurava meu pulso me deixando preso, sem qualquer movimento. Eu queria chutar, mas não consegui; o peso de seu corpo me imobilizava. Eu queri gritar, mas não consegui; pois seus lábios selaram os meus, e qualquer palavra que eu queria dizer.

Pensei em perguntar: "Quem é você?" mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, ouvi sua doce voz:
-Eu sou uma estrela cadente.

29 de jan. de 2010

Ônibus 945

"Nossos tempos mudaram, nossos tempos têm máquinas, fumaça, destruição...mas nossos tempos proporcionam um melhor potencial de vida para aqueles com um poder aquisitivo superior."

E para os demais, a vida continua...cada vez mais engolida pela modernização. O pouco da natureza está se esgotando...mas isso já não é novidade...nem sempre foi assim...

Diariamente, minha rotina me obrigava a embarcar no ônibus de número 945, este que me levava pelas mesmas paisagens diariamente. A bordo de uma curta viagem com duração média de uma hora e meia, a paisagem tão repetitiva começava a se tornar cinza. Percebendo tamanha devastação, decidi, através destas simples linhas, registrar o momento de vida da rota que rotineiramente observava. Decidi fazer isso antes que todo o verde e vivo fosse coberto por um reluzente cinza que, não emite nenhum brilho de vida.

"Saindo da rodoviária: Ah, a boa e velha rodoviária. Onde as passagens vendidas eram todas manuscritas, com o timbre da empresa com as letras estilizadas F.L.W. cujo nome até hoje é um misério. Enfim, a atendente, sempre sorridente, muito ocupada, prestava seu serviço vendendo-me o bilhete de forma que suas delicadas mãos preenchiam habilmente os campos da passagem. Por costume, normalmente ela já deixata tudo preenchido, eu apenas lhe pagava e já tinha a passagem prontinha.

Costumava chegar à rodoviária, vários minutos antes, assim tinha tempo de uma breve partida de bilhar com o dono do bar ao lado da bilheteria da empresa F.L.W.; o Sr. Edmundo, era grande e corpulento, mas suas tacadas certeiras, era um desafio diário derrotá-lo. Com um pouco de sorte e muita concentração, sempre vencia.

Ah sim, o ônibus acaba de chegar. Angelo, o motorista, o anjo dos asfaltos. Não poderia ter um nome melhor para um homem de fibra como este; era claro o amor que ele sentia em seu serviço. Fazia questão de desejar a todos uma excelente viagem, nem que a pessoa fosse parar no ponto mais próximo.

Tomei os procedimentos de embarque e sentei-me em minha janela preferida, logo à frente da roda traseira, do lado esquerdo, assim o sol não bateria no meu lado. Agora sim, está dada partida em minha diária viagem à bordo do Ônibus 945."

"A Viagem:  Da rodoviária, o único ponto de parada antes de seguirmos estrada, é um auto-posto de gasolina. O posto é de todo simples, com a bandeira da empresa de combustível que representa. Funcionários sempre dispostos a atender, acenavam para os viajantes que por ali passavam de ônibus, carro, charrete, cavalo, ou até mesmo os aventureiros mochileiros.

Por sorte hoje não havia ninguém embarcando naquele ponto, então Angelo simplesmente buzinou para seus amigos do posto que retribuiram em coro com gritos e piadinhas para Angelo.

Fazendo o balão do auto-posto, seguimos na encosta de uma imponente montanha rochosa com muita vegetação encravada em sua parede, pura sorte natural, isso evita os desmoronamentos de terra em épocas chuvosas. Por falar em clima, verão, ah como está quente e ensolarado! Enfim, voltando à estrada.
Após contornar a montanha, cinematograficamente a paisagem muda para um campo aberto, como se estivéssemos atravessando cenários de um grande estúdio de cinemas. Aqui no campo, a primeira vista do planalto, é um grande lago espelhado. Refletindo o brilho dos céus, o lago estava em tons de azul turquesa, e as nuvens refletidas, brancas como se fossem algodão sob aquela paisagem congelada.

Estrada reta, estrada boa! Angelo acelera sem dó, ele e a máquina confiam um no outro de tal forma que me pergunto às vezes como ele consegue manobrar daquela forma sem tomar uma multa.

Saindo então das montanhas, descendo o planalto com o lago, seguimos em uma íngrime inclinação onde passaremos pelo primeiro vilarejo. "Arcaico" como indicava a placa do vilarejo. Era um lugar calmo, com casas todas simétricamente planejadas, em estilo colonial, os moradores faziam questão de manter todas as tradições. Jovens tiravam o chapéu e acenavam para o imponente ônibus 945. As moças acenavam com lencinhos; logo todos estariam juntos de seus parentes que desembarcariam na estação logo à seguir. Ah! Chegamos! Aqui a primeira parada do 945.

A "Estação" é uma antiga estação ferroviaria, desativada pela modernização das estradas automobilísticas. Aqui as familias dos moradores de Arcaico esperam anciosamente por parentes, amigos, heróis em serviço militar...enfim, o clima que as pessoas deram à estação fez com que a mesma ganhasse um nome especial que e tratado e muito conhecido por todos os moradores e visitantes: a "Estação do Retorno".

Deste modo, é muito comum ouvir: -Estou indo ao Retorno; ou então -Logo logo minha filha chega no Retorno.

Me emocionei com uma cena muito incomum que estava acontecendo na Estação..havia uma garota desembarcando do ônibus 945, o mesmo que eu estava...ninguém mais além da garota desembarcou...lá fora vejo uma mulher que, pela aparência e semelhança, julguei ser a mãe da garota. Ela chorava muito e acariciava o rosto da garota. Agora tudo fazia sentido, a garota era uma intercambista...estava voltando de uma longa viagem e tinha muitas histórias para sua mãe e amigas.

Assim continuamos nossa viagem...a partir da Estação do Retorno, são apenas vinte minutos. Ah sim, agora um pedaço muito desagradável da viagem...Há uma industria sendo construida numa área onde costumava ser um campo de gramado curto e de um verde vivo. Gostaria que parassem essa engrenagem do capitalismo ou que fizessem essas construções em locais próprios, onde a natureza já declarou "morte"."

"Desembarque: Finalmente, chegamos ao fim da viagem...Angelo se despede dos passageiros, perguntando um por um se a viagem lhes agradou...Me pergunto se quando tudo se tornar cinza, Angelo continuará tendo a mesma vontade e gentileza..."


Deste modo, quando tudo estiver perdido, fecharei os olhos e me lembrarei eternamente da estrada cinematográfica e do querido Ônibus 945.

27 de jan. de 2010

Poeta

Aquele homem, bem vestido, com um longo sobretudo preto e um chapéu escuro, sentado ali à mesa. Prova um pouco de seu café, e logo começa a ler um grosso livro de capa vermelha e titulo em letras douradas, centralizada ao centro da capa.
Ele, sem qualquer instrução, continua lendo, e gentilmente sorri à Lua, como se ambos já se conhecessem desde seu momento de nascimento e até antes.

Sua leitura o leva para um campo iluminado, cheio de pessoas felizes, vestidas em branco. Todas as pessoas estavam realmente felizes...um lugar sem religiões, um lugar, onde o homem encapuzado encontrara sua semelhança...

Sobre a sua mesa, uma toalha rendada artesanalmente o fizera pensar o quanto aquele pedaço de tecido teria "vivenciado"...suas manchas, sobrepondo umas sobre as outras, como se quase nunca aquela toalhinha tivesse sido lavada, ou se tivesse, esta seria lavada delicadamente às margens de um rio, por senhoras que se reunem semanalmente e limpam as roupas cantarolando canções alegres enquanto conversam sobre a vida.

"Bondade, melhor que perfeição", o homem não consegue entender porque não se encaixa naquele mundo onde as pessoas mais famosas são aquelas que, foram taxadas como perfeitas. O homem, apenas não entende porque as pessoas famosas não são aquelas que a bondade fazem, sem que estas pensem sequer em receber qualquer recompensa...mas que muitas vezes, terminam em vielas, lugar onde nossa personagem se encontra exatamente agora.

O ar nas ruas molhadas pela chuva era tenso. Os postes de luz da rua davam à cena noturna, o brilho que refletia das gotículas de água que brilhavam no chão, fazendo a cena em tons de cinza. Tão triste quanto era a vida daquele homem. Ao final da rua avistou um garoto chorando...se aproximou e apenas disse:

-Sua mãe está no café no final da rua, vá até ela e simplesmente diga que a ama muito. Mas não chore, garoto...a rua pode ser escura, mas a coragem que carrega em teu peito é maior que qualquer problema que venha a enfrentar

O garoto ainda soluçando muito, saiu...Lágrimas cairam do rosto já enrugado do homem...Agora ele se dirigia à sua livraria favorita. Nunca comprara sequer um livro...O livro de suas mãos era feito desta forma... cada livro o fazia pensar mais em sua vida...mas não o livro todo, apenas páginas...capítulos...ele arrancava dezenas de páginas de diversos livros e inseria cada página em seu livro vermelho de letras douradas. Era um mix de histórias que resumiam sua vida...

Agora sentado à mesa, próximo a uma janela, sem que ninguém lhe dê qualquer instrução, retoma seu triste monólogo. A cada segundo, ele se vê mais próximo às pessoas felizes...para um lugar sem religiões, onde finalmente, encontraria sua semelhança.

Então, novamente, com sua xícara de café, gentilmente sorri à Lua, como se ambos já se conhecessem desde seu momento de nascimento e até antes.



Texto baseado na incrível música Man of a Thousand Faces - Regina Spektor

24 de jan. de 2010

O garoto e o Guarda-Chuvas

Antes fosse uma manhã chuvosa...Jack, fazendo seu habitual caminho até o trabalho, com um pequeno detalhe; estava completamente ensopado. A chuva havia pego de surpresa...agora era tarde, poderia usar o uniforme o dia todo e deixar a roupa secando no almoxarife...Na recepção da empresa, logo foi estranhamente recepcionado com uma toalha branca extremamente macia; e todo essa atenção era comum em sua empresa, mas mesmo assim, Jack ficava desconfiado...

Passou para o vestiário onde deixou pendurado suas roupas enxarcadas e vestiu-se em seu uniforme...havia uma porta de um dos armários aberta; com todo o cuidado Jack a fechou, mas eta logo tornou-se a abrir. Curioso, foi examinar qual o motivo da porta estar agindo daquela maneira. Logo descobriu um guarda-chuva estilo "bengala" mal colocado no armário.

Antes fosse um guarda-chuvas...Jack tocou o guarda chuvas e sentiu-se "eletrificado", mas não era um choque, não era doloroso...sentiu vontade de empunhá-lo como se fosse uma espada.

-Então...a pessoa que me despertaria...seria um garoto?
-Quem disse isso?
-Eu não digo, estou me comunicando telepaticamente...
-Quem...quem é?
-Ora, você me empunha com tanta garra e agora está aí tremendo com medo dos meus potenciais?

Por um momento Jack não estava conseguindo se concentrar...um guarda-chuvas...não, o que era aquilo? Em seguida aquele objeto se apresentou como "Zk", e disse coisas sem sentido, como:

"-Jack, este mundo parece o seu, mas logo vai descobrir que não está mais em casa...eu posso te ajudar a sair daqui, mas me ajude a acabar com os problemas daqui..."

E realmente, logo Jack descobriu que aquele lugar não era mais o seu. Haviam pessoas...mas elas pareciam possuidas...e queriam a todo custo atacar Jack e Zk.

-Zk o que eu faço?
-Ora, me use...com a sua mente, posso ser qualquer arma.

Jack se concentrou, e empunhou o guarda-chuvas como se este fosse um rifle e um projétil foi disparado, acertando a cabeça de um daqueles "monstros".
Maravilhado, Jack resolveu tentar uma coisa mais ousada, segurou o guarda-chuvas no meio, pronunciou algumas palavras que se lembrava em latim e uma chuva de raios atingiu todos os demais monstros em pé.

-Hmm...magia...gosto do seu estilo, garoto.
-Eu não sou garoto.
-Ei garoto, atrás de você!

Um daqueles "monstros" havia se jogado em cima de Jack. Sem outra reação, ele gritou. Zk, o guarda-chuvas se abriu e tudo ficou escuro...

Jack abriu os olhos...escutou o barulho da chuva na janela...estava em casa...aquilo tudo tinha sido um sonho...já sentado na cama, ao lado de seu criado mudo, eis que ele vê Zk...